Lula nega censura a big techs e ataca Lava Jato como “grande mentira do século 21”, prometendo veto a robôs eleitorais e apelando por segurança pública
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou entrevista à TV Brasil nesta sexta-feira (22) para negar veementemente que a regulamentação das big techs configure censura. Ele ressaltou que o objetivo é garantir que crimes cometidos no mundo real também sejam punidos no ambiente digital, defendendo um maior controle sobre as plataformas.
Em um tom direto, Lula abordou diversos temas de relevância nacional, desde a organização política do país até a sua percepção sobre a Operação Lava Jato. A declaração sobre a operação, que o levou à prisão por 580 dias, foi uma das mais contundentes, classificando-a como a “grande mentira do século 21”.
O mandatário também sinalizou ações importantes em relação às eleições e à segurança pública. A promessa de vetar um projeto de lei que flexibiliza o uso de mensagens em massa e o apelo para que a PEC da Segurança Pública seja votada no Senado demonstram a preocupação do governo com a integridade do processo eleitoral e o combate ao crime organizado. As informações foram divulgadas pelo próprio presidente em entrevista à TV Brasil.
Regulação de redes: “Não quero censurar nada”, afirma Lula
Ao comentar os decretos que endurecem as regras para as big techs, Lula enfatizou que a preocupação do governo é com a falta de controle, e não com a censura. “Se no real é crime, no digital tem que ser crime”, declarou o presidente, reconhecendo a importância da internet para a sociedade moderna. Ele busca um equilíbrio entre a liberdade de expressão e a responsabilidade das plataformas.
Fundo Partidário e Eleitoral: Lula critica “promiscuidade” e defende mudanças
O presidente demonstrou forte insatisfação com a atual organização política do país, criticando o aumento dos fundos partidário e eleitoral. Segundo Lula, esses recursos levaram à “promiscuidade da política”, admitindo que sua posição atual é contrária ao que defendia anteriormente. Ele mencionou que o próprio PT não reage bem a essas declarações, indicando um debate interno sobre o tema.
Lava Jato: “Grande mentira do século 21” e pedido de desculpas não visto
Lula reiterou suas críticas à Operação Lava Jato, conduzida pelo ex-juiz Sergio Moro e pelo ex-procurador Deltan Dallagnol. Para ele, a operação foi a “grande mentira do século 21”, responsável por “quebrar muitas empresas” e por fomentar “dois monstros”, sem que as denúncias fossem comprovadas. Ele lamentou a falta de pedidos de desculpas após a anulação de suas condenações pelo STF, que declarou a suspeição de Moro.
Veto a robôs eleitorais e apelo por Segurança Pública
O presidente anunciou que vetará o projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados que, segundo ele, abre brecha para o uso de robôs e disparos em massa de mensagens em ano eleitoral. Lula afirmou que buscará primeiro convencer o Senado a não aprovar o texto e, caso seja aprovado, o veto presidencial será uma realidade. Ele também fez um apelo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para pautar a votação da PEC da Segurança Pública, prometendo recriar o Ministério da Segurança Pública em 15 dias caso o texto seja aprovado. O objetivo é combater o crime organizado e garantir que “bandido tem que ser punido e ir para a cadeia”.
Proibição de Bets: Lula se posiciona, mas reconhece limites do cargo
Sobre as empresas de apostas online, Lula declarou que, se dependesse apenas dele, todas seriam proibidas. No entanto, ele ressaltou que, como presidente, precisa atuar dentro do tripé institucional com o Congresso Nacional e o Poder Judiciário, reconhecendo que não é o “dono do Brasil”. A declaração indica uma posição pessoal, mas também a necessidade de negociação política para futuras regulamentações ou proibições.





















