Novo em conflito: Zema e Flávio Bolsonaro no centro de embate eleitoral no Sul do Brasil
O partido Novo vive um momento de tensão interna com o pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo-MG), e diretórios estaduais, especialmente na Região Sul do país. As divergências ganharam força após declarações de Zema contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que abalaram alianças regionais importantes para as eleições de outubro.
A disputa interna, que já vinha ocorrendo em alguns estados, tornou-se pública com a divulgação de uma nota pelo diretório de Santa Catarina. A nota criticou a equipe de comunicação de Zema e chegou a ameaçar o desconvite do pré-candidato para um evento em Joinville, mostrando a profundidade do descontentamento.
Esse atrito regional coloca em xeque a estratégia do Novo para as eleições. O partido, que tem acordos com o PL em estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, vê a postura de Zema como um obstáculo para a consolidação dessas alianças e para o fortalecimento da direita em um cenário eleitoral complexo. A informação é de apuração da Gazeta do Povo.
Diretório de SC ameaça boicote e critica Zema
O diretório estadual do Novo em Santa Catarina, através de seu presidente Kahlil Zattar, divulgou uma nota afirmando que, se não houver uma mudança drástica e imediata na equipe de comunicação de Romeu Zema, a legenda se posicionará contrariamente à sua indicação como candidato à Presidência. A nota, que vazou para a imprensa, gerou um mal-estar interno, com alguns pré-candidatos catarinenses alegando que a decisão de expor publicamente a divergência foi tomada por Zattar.
Alguns filiados cogitam até mesmo deixar a disputa eleitoral deste ano antes das convenções partidárias, que ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto. O evento de pré-campanha em Joinville, marcado para 4 de julho, também corre o risco de ser boicotado por parte dos membros do partido. Há ainda articulações para encaminhar o caso ao diretório nacional, buscando uma possível troca no comando estadual.
Procurado, Zattar afirmou que a executiva estadual decidiu não conceder entrevistas e que uma reunião interna será realizada para alinhar a posição do Novo em Santa Catarina. Ele ressaltou que “o que tinha para ser dito foi falado na nota que vazou para a imprensa”.
Alianças regionais em risco e críticas à estratégia de Zema
Em Santa Catarina, a aliança da direita foi articulada pelo governador Jorginho Mello (PL-SC), aliado da família Bolsonaro. Ele escolheu o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo-SC), como pré-candidato a vice-governador na chapa de reeleição estadual. A crítica de parte dos correligionários do Novo catarinense não é apenas à nota pública de Zattar, mas à estratégia de comunicação adotada pela pré-campanha de Zema.
A postura de Zema é criticada por defender a união da direita, mas atacar publicamente Flávio Bolsonaro em um momento crucial antes do início oficial da campanha eleitoral. Integrantes do Novo catarinense classificam o posicionamento do pré-candidato como “um tiro no pé”, especialmente considerando a necessidade de composições de centro-direita para um eventual segundo turno contra Lula (PT). O apoio de Flávio Bolsonaro é visto como fundamental para as eleições ao Senado e aos governos estaduais.
Insatisfação se estende ao Paraná e preocupa o partido nacionalmente
No Paraná, o Novo ainda não se manifestou oficialmente sobre a nota de Santa Catarina, mas o silêncio não indica aprovação ao tom de Zema contra Flávio Bolsonaro. O senador se tornou um dos principais aliados da sigla no estado após a filiação de Sergio Moro ao PL, que consolidou o Novo na aliança local. Moro é pré-candidato ao governo estadual, enquanto Deltan Dallagnol, ex-procurador da Lava Jato, concorre ao Senado pelo Novo com apoio de Flávio Bolsonaro.
Logo após as primeiras críticas de Zema em maio, o Novo paranaense já havia classificado a manifestação do pré-candidato como precipitada, gerando “ruídos desnecessários em alianças já estabelecidas”. Um pré-candidato ouvido pela Gazeta do Povo explicou que a questão não é o Novo se tornar um “partido satélite” da família Bolsonaro, mas sim buscar a unificação das forças de direita para as eleições estaduais e a oposição a Lula.
A preocupação com a postura de Zema se estende a membros do Novo em outros estados, como Rio Grande do Sul e Goiás. Eles temem que o descontentamento e os conflitos internos possam prejudicar o cumprimento da cláusula de barreira, um critério mínimo de desempenho eleitoral para que partidos tenham acesso a recursos como o Fundo Partidário e tempo de propaganda gratuita.





















