Governadores da direita se preparam para 2026, com críticas a Lula e planos para desafiar o petismo
O cenário político para 2026 já começa a ser desenhado no campo da direita, com governadores de estados importantes se colocando como potenciais adversários do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto alguns mantêm uma postura mais cautelosa, outros já anunciaram suas pré-candidaturas, buscando se firmar como alternativas ao governo federal.
As declarações e movimentações ao longo de 2025 indicam um movimento estratégico para capitalizar insatisfações e construir uma plataforma de oposição forte. A busca por protagonismo e a crítica às políticas do Planalto se tornaram marcas registradas desses governadores.
Com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, o foco da direita se volta para nomes que possam unificar o campo e apresentar um projeto de país. As estratégias variam, mas o objetivo é claro: disputar a presidência em 2026. Conforme informações divulgadas, a direita se concentra em quatro nomes de governadores, além da ascensão de Flávio Bolsonaro.
Tarcísio de Freitas: Lealdade a Bolsonaro e estratégia cautelosa
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi apontado como um dos favoritos para liderar a oposição, especialmente após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Contudo, Tarcísio tem adotado uma postura mais reservada quanto a uma candidatura presidencial direta, frequentemente vinculando suas decisões à orientação de Bolsonaro.
Em declarações, Tarcísio ressaltou a importância de Bolsonaro para a pacificação e articulação do grupo, afirmando que o ex-presidente terá um papel fundamental em um arranjo que ele acredita ser vitorioso. A expectativa era de que ele fosse o nome principal, mas com o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, Tarcísio reafirmou sua lealdade ao ex-presidente e declarou apoio ao filho.
“O presidente Bolsonaro é uma pessoa que eu respeito muito e eu sempre disse que seria leal e que sou grato a Bolsonaro, e eu tenho essa lealdade, é inegociável. O Flávio vai contar conosco, tem grande responsabilidade a partir de agora. Ele se junta a grandes outros nomes da oposição que já colocaram seus nomes”, afirmou Tarcísio.
Ratinho Junior: O plano B do PSD e o discurso moderado
O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), também demonstrou ambições presidenciais, embora tenha evitado cravar uma candidatura para 2026, priorizando sua reeleição estadual. Ele construiu caminhos nos bastidores ao longo do ano, mas sempre deixou claro que a decisão sobre seu futuro político dependeria do partido.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, indicou que Tarcísio de Freitas era o plano principal, com Ratinho Junior e Eduardo Leite (PSD), governador do Rio Grande do Sul, como alternativas. Ratinho Junior se posicionou como um nome de centro-direita, com um discurso mais moderado e crítico à polarização excessiva.
“Quem vai dizer isso é o partido, no momento adequado. É claro que 2026 se discute em 2026, mas eu fico feliz por meu nome estar sendo discutido nacionalmente dentro do partido”, declarou Ratinho Junior, demonstrando abertura para a discussão.
Ele também comentou sobre a polarização, afirmando: “Eu me considero normal porque ninguém aguenta mais essa briga, 70% da população não aguenta mais a polarização. O Brasil precisa de paz institucional, todo mundo precisa calçar as sandálias da humildade, fazer um planejamento de médio e longo prazo, coisa que hoje não temos.”
Ronaldo Caiado e Romeu Zema: Candidaturas declaradas e críticas contundentes
Em contrapartida à cautela de Tarcísio e Ratinho Junior, os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), optaram por um caminho mais direto, lançando oficialmente suas pré-candidaturas à Presidência.
Caiado, com vasta experiência política e único entre os quatro a já ter concorrido à presidência (em 1989), tem bancado sua candidatura apesar de enfrentar resistências. Ele critica a falta de liderança e autoridade moral no governo federal.
“Falta coragem, liderança e autoridade moral para governar esse país. E é por isso que eu vou debater o assunto. Serei candidato à Presidência da República e, se Deus e o povo brasileiro me derem essa chance, pode ter certeza que eu sei como governar”, afirmou Caiado.
Romeu Zema, por sua vez, tem o apoio irrestrito do partido Novo para sua candidatura, focando suas críticas na gestão de Lula e no PT. Ele tem percorrido o país em campanha antecipada, ampliando seu discurso anti-PT e de experiência em gestão.
“Renunciarei ao meu mandato até a data-limite, 4 de abril de 2026, e vou dedicar todo o meu tempo a partir daí à minha pré-candidatura pelo Novo. Vou levar meu projeto à Presidência até o final. Na última eleição, vencer em Minas era mais difícil do que ganhar a Presidência ano que vem”, declarou Zema.
Críticas ao Governo Lula: Economia e Segurança em Foco
Além de anunciarem suas pretensões, os quatro governadores direcionaram críticas ao governo Lula, concentrando-se principalmente em aspectos econômicos e de segurança pública. Tarcísio, apesar de momentos de cordialidade em eventos com o presidente, usou outras ocasiões para reforçar seu antagonismo à gestão petista.
Romeu Zema tem sido um dos críticos mais ferrenhos do governo Lula e do PT, afirmando que o Brasil precisa se livrar do petismo para avançar em diversas áreas. Suas declarações são contundentes, como: “Vamos acertar as contas com o lulismo, os parasitas do Estado e as facções criminosas. [Vamos] enfrentar os carrapatos, os mamadeiros, os privilegiados que sugam os nossos recursos e, principalmente, combater de frente a indústria de censura e de abuso de autoridade que se instalou no nosso país.”
Ronaldo Caiado tem destacado a segurança pública, área em que Goiás tem sido elogiado, como forma de se contrapor ao governo federal. Ele criticou a PEC da Segurança Pública enviada por Lula, argumentando que o governo não combate o crime organizado efetivamente.
“Há 20 anos o PT governa a Bahia. E o que se vê é a expansão das facções. Onde está a soberania do cidadão que não pode visitar um parente em outro bairro sem medo de morrer? Isso é o retrato do Brasil governado por quem convive bem com o crime”, disse Caiado.
Ratinho Junior, por sua vez, foi menos incisivo contra Lula, chegando a elogiar parcerias estratégicas entre os governos estadual e federal. Sua crítica mais notável surgiu após a imposição de tarifas por Donald Trump sobre produtos brasileiros, onde ele questionou a reação do governo federal.
“É um governo que, sobre uma questão tão importante como essa discussão do tarifaço do Trump, muitas vezes se vitimiza demais: ‘Ah, é uma coisa pessoal com o Brasil.’ Não. O Trump fez isso com China, Japão, Filipinas, Índia, México e Canadá. E o que fizeram? Foram lá e sentaram na mesa para discutir. Aqui a gente faz vídeo na internet para brincar com esse assunto, como lamentavelmente o presidente da República fez”, criticou Ratinho Junior.















