Bismark Fugazza, apoiado por Flávio Bolsonaro, tem pré-candidatura a deputado federal sob escrutínio do STF
O cenário político brasileiro ganha um novo capítulo com a pré-candidatura a deputado federal de Bismark Fugazza, empresário e influenciador digital conhecido pelo canal Hipócritas. O lançamento de sua pré-campanha em Santa Catarina, em 2026, conta com o endosso de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Contudo, a ascensão política de Fugazza ocorre em meio a um contexto delicado. Ele é alvo de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram a participação de grupos em atos considerados antidemocráticos após as eleições de 2022. As investigações são conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes.
Flávio Bolsonaro, em vídeo enviado para o evento de lançamento da pré-candidatura, destacou a importância de Fugazza disputar espaços políticos, referindo-se a ele como alguém que “sentiu na pele a perseguição” e sabe “o que é ser vítima desse sistema”. A informação é parte do conteúdo divulgado sobre a pré-candidatura.
Fugazza Cumpre Medidas Cautelares Restritivas Impostas pelo STF
Bismark Fugazza está submetido a medidas cautelares impostas pelo STF, que incluem restrições de mobilidade e comunicação. Ele está proibido de sair de seu município de residência, Penha (SC), e também impedido de utilizar as redes sociais. Essas determinações visam o cumprimento de investigações em andamento.
Em entrevista à Gazeta do Povo, Fugazza declarou que seu “crime foi falar o que pensa” e que vive “como se fosse um grande bandido”, se considerando “mais um cidadão que está sofrendo as consequências de um Judiciário ditatorial no Brasil”.
A prisão de Fugazza foi determinada por Alexandre de Moraes em dezembro de 2022. Ele tomou conhecimento da decisão somente em março de 2023, quando foi detido no Paraguai a pedido das autoridades brasileiras. Após ser expulso do país, ele permaneceu preso por 91 dias em regime fechado, obtendo liberdade provisória mediante o cumprimento das medidas cautelares vigentes.
Restrições e a Luta Pela Liberdade de Expressão
Atualmente, Fugazza usa tornozeleira eletrônica e é obrigado a comparecer semanalmente ao fórum. O ministro Alexandre de Moraes também determinou a remoção de conteúdos do Canal Hipócritas e das redes pessoais do influenciador. Fugazza alega que o ministro tentou ligá-lo aos atos de 8 de janeiro, mas afirma que estava na Itália na data.
Segundo Fugazza, a prisão foi ilegal e motivada por perseguição política, sendo a soltura justificada pela ausência de “indícios minimamente razoáveis para manter a acusação”, conforme apontamentos da Polícia Federal. Ele defende que “me tiraram o direito à liberdade e hoje essa é a minha principal bandeira”.
Apesar das restrições, Fugazza pretende realizar a campanha eleitoral no estado, contando com o apoio de pessoas que acreditam em suas pautas. A pré-campanha deve focar em articulação local, agendas restritas e fortalecimento de alianças políticas, com lideranças em cerca de 200 municípios de Santa Catarina.
Pautas e Impacto das Medidas Cautelares na Política
Caso eleito, Bismark Fugazza pretende levar ao Congresso Nacional pautas voltadas à defesa da liberdade individual, da liberdade de expressão e de limites institucionais. Outros temas a serem abordados incluem liberdade econômica, críticas à carga tributária e burocracia, além da defesa da autonomia familiar na educação.
O advogado Levi de Andrade, especialista em direito criminal, explica que, em regra, o uso de tornozeleira eletrônica e medidas cautelares não impedem automaticamente uma candidatura. No entanto, restrições como proibição de deslocamento e uso de redes sociais podem, na prática, **atingir fortemente a participação política** de um indivíduo ainda presumido inocente.
Andrade ressalta que, embora a lei não torne alguém inelegível por usar tornozeleira, medidas cautelares muito amplas podem criar uma restrição política indireta. Se eleito, o exercício do mandato pode ser dificultado, sendo necessária a revisão ou flexibilização das cautelares pelo STF, para que não funcionem como uma barreira desproporcional ao exercício de um mandato popular.





















