Santa Catarina abre licitação para nova malha de voos regionais com subsídio de R$ 22,5 milhões
O governo de Santa Catarina deu um passo importante para reativar a aviação regional com o programa “Voa + SC”. A iniciativa, que visa reconectar o interior do estado à capital Florianópolis através de voos de passageiros e cargas, entrou na fase de licitação para selecionar a empresa aérea responsável pela operação. Este programa promete transformar a mobilidade em Santa Catarina, conectando nove cidades do interior à capital.
A proposta do “Voa + SC” é clara: facilitar o deslocamento, impulsionar investimentos, apoiar produtores locais, fortalecer o turismo e gerar empregos. Com um investimento público inicial de até R$ 22,5 milhões no primeiro ano, o estado busca criar um serviço aéreo eficiente e acessível, com o objetivo de reduzir gradualmente a dependência de subsídios ao longo dos três primeiros anos do contrato.
O edital, publicado em junho, estabelece as regras para a escolha da companhia aérea. As empresas interessadas têm até o dia 17 de julho para apresentar suas propostas, e o critério de seleção será o menor preço por hora de voo. Esta é uma oportunidade para empresas aéreas contribuírem para o desenvolvimento regional de Santa Catarina, conforme informações divulgadas pela Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias catarinense.
Detalhes da Operação dos Voos Regionais no “Voa + SC”
A primeira fase do programa “Voa + SC” desenha a capital catarinense como um hub central, conectando-a a nove cidades do interior. A expectativa é que as rotas ofereçam, no mínimo, dois voos semanais, operados por aeronaves de pequeno porte, com capacidade entre 9 e 19 assentos. A flexibilidade para ajustar as frequências será baseada na demanda e em indicadores como a taxa de ocupação, garantindo a eficiência do serviço.
Para cidades como São Miguel do Oeste, o tempo estimado de voo até Florianópolis é de cerca de 1h50. O edital também fixa tetos tarifários, com valores que podem chegar perto de R$ 800 por trecho em algumas rotas, mas com tarifas menores em trajetos mais curtos, como capital-Blumenau ou capital-Jaguaruna. O objetivo é tornar o transporte aéreo uma alternativa viável para um número maior de pessoas.
O secretariado-adjunto da pasta estadual, Ivan Amaral, explicou que o estado contratará até 160 horas de voo mensais, pagando um valor máximo por hora. A companhia aérea, por sua vez, compromete-se a vender passagens e transportar cargas dentro das faixas de preço estabelecidas. O valor arrecadado com as vendas será abatido do contrato, o que, segundo Amaral, torna as passagens mais acessíveis, pois, “sem o subsídio as passagens seriam muito caras e inviáveis para os passageiros”.
Critérios para a Escolha das Cidades e Infraestrutura Aeroportuária
A seleção das cidades para esta primeira etapa do programa “Voa + SC” baseou-se em critérios técnicos. O foco foi conectar localidades que atualmente não possuem voos regulares para a capital e que dispõem de aeroportos com infraestrutura adequada para as aeronaves previstas. Investimentos em pistas, sinalização e estrutura já foram realizados, preparando os aeroportos regionais para receberem as novas operações aéreas.
A Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias catarinense considera a taxa de ocupação das aeronaves como a principal métrica de acompanhamento. Com base nesses dados, o programa poderá reforçar frequências em rotas mais demandadas, redesenhar ligações e, futuramente, incluir novos destinos. A meta é otimizar o serviço e atender às necessidades da população e do setor produtivo de Santa Catarina.
A expectativa do governo é que, após a escolha da empresa vencedora e a assinatura do contrato, os primeiros voos do programa “Voa + SC” comecem a operar entre novembro e dezembro de 2026, desde que o processo licitatório transcorra sem contestações. Este cronograma visa garantir a implementação eficiente do projeto.
Setor Empresarial e Turismo Apostam no Novo Mapa Aéreo Regional
Entidades empresariais de Santa Catarina veem o programa “Voa + SC” como um impulso fundamental para o desenvolvimento regional. Rinaldo Araujo, vice-presidente regional Vale do Itajaí da Facisc, destaca que o programa responde a um estado em rápido crescimento, mas que ainda enfrenta gargalos de infraestrutura, especialmente nas rodovias federais. A aviação regional surge como uma solução para otimizar o tempo de deslocamento e conectar as diversas regiões.
Araujo ressalta que a nova malha aérea regional gerará estatísticas valiosas sobre o uso do transporte aéreo dentro do estado, o que poderá orientar futuros investimentos em infraestrutura. “Vamos passar a ter números de passageiros e de carga em rotas internas que nunca tivemos, e isso vai apontar quais investimentos serão necessários no futuro”, avalia. Ele cita o aeroporto de Navegantes como exemplo de infraestrutura que pode ser diretamente impactada por esses dados.
Lito Guimarães, diretor setorial da Facisc, enfatiza que o sucesso do programa depende da sua capacidade de reduzir custos de deslocamento e de ser baseado em critérios técnicos. “Eventuais subsídios, a rigor, devem ser tratados como investimentos visando o desenvolvimento econômico”, aponta. Ele reforça a necessidade de um projeto sério que busque a viabilidade econômica para garantir o sucesso a longo prazo.
Impacto do “Voa + SC” no Turismo e na Economia Local
O turismo em Santa Catarina também se beneficia diretamente com a iniciativa “Voa + SC”. Marcos Arnhold Júnior, professor e pesquisador em políticas públicas do turismo da Univali, destaca a importância do tempo de trajeto para os viajantes. Estudos indicam uma preferência por viagens de até cinco horas, e os voos regionais tornam esses deslocamentos mais curtos e previsíveis, atendendo especialmente a viajantes a negócios.
O professor prevê que fluxos ligados à saúde, como os de passageiros que buscam águas termais no interior, também serão early adopters das novas rotas. Com a consolidação da oferta, ele vislumbra um crescimento no turismo de lazer, abrangendo segmentos como festivais gastronômicos, turismo rural, termal e de natureza. A conectividade aérea abre novas portas para a exploração do potencial turístico do estado.
Arnhold Júnior, contudo, alerta que o sucesso do programa vai além do transporte. “Os voos levam pessoas, mas elas precisam ter o que fazer”, pontua. Ele enfatiza que hotéis, restaurantes, passeios e a infraestrutura local serão cruciais para que o “Voa + SC” se traduza em mais economia e emprego, consolidando-se como um verdadeiro motor de desenvolvimento para Santa Catarina.





















