Pequena cidade catarinense se destaca no cenário mundial com queijo artesanal premiado
Da pequena cidade de Pomerode, em Santa Catarina, com pouco mais de 34 mil habitantes, surgiu um queijo que conquistou o paladar e o reconhecimento internacional. O Morro Azul, um queijo especial que homenageia um dos pontos turísticos locais, foi incluído na lista de melhores queijos do mundo pela revista norte-americana Culture Magazine.
Este feito notável posiciona o Morro Azul como o único representante brasileiro entre produtos renomados da França, Itália e Suíça, um marco para a produção nacional. O queijo integra a linha artesanal Vermont, da empresa Queijos Pomerode, que tem raízes históricas na região e uma trajetória de paixão pela tradição.
A história por trás do Morro Azul é uma jornada de resgate de legado e inovação. Fundada em 2002, a Queijos Pomerode nasceu do desejo de preservar a memória do avô Guilherme Ziehlsforff, que por quase 40 anos produziu o tradicional kraeuterkaese, um creme de parmesão com ervas finas. Em 2013, a empresa foi adquirida pela família Mendes, conhecida pela Cervejaria Eisenbahn, que expandiu o portfólio e fortaleceu a distribuição.
A inovação que levou ao reconhecimento global
A grande virada aconteceu em 2017 com o lançamento da linha de queijos de mofo branco Vermont, da qual o Morro Azul faz parte. Os irmãos Juliano e Bruno Mendes, sócios da empresa, aprofundaram seus conhecimentos sobre queijos para harmonizar com suas cervejas, o que os levou a uma imersão em pesquisas, feiras e cursos nos Estados Unidos.
Segundo Bruno Mendes, um dos sócios, o Morro Azul é um queijo de mofo branco, macio e cremoso, desenvolvido com o fungo Penicillium candidum. Sua produção retém umidade para garantir a alta cremosidade característica. O preço médio de venda varia entre R$ 25 e R$ 30.
“O queijo é salgado e, posteriormente, envolvido em uma cinta de madeira, que garante estrutura e ajuda na composição do sabor e do aroma. O período de maturação é de 30 dias”, explica Bruno Mendes. Essa cuidadosa maturação, aliada à cinta de madeira, contribui para a complexidade e a identidade única do Morro Azul.
Morro Azul coleciona prêmios e impulsiona o setor
O Morro Azul não é novidade em premiações internacionais, acumulando diversas distinções que atestam sua qualidade excepcional. Este reconhecimento global não apenas celebra o queijo de Pomerode, mas também fortalece toda a cadeia produtiva de queijos artesanais brasileiros.
Andressa Dalila Bianchi, presidente da Associação dos Produtores de Queijo Artesanal de Santa Catarina (Artequeijo SC), ressalta a importância dessas conquistas. “Esse reconhecimento mostra que os queijos artesanais brasileiros possuem qualidade, identidade e personalidade suficientes para competir com grandes referências mundiais”, afirma.
Ela destaca que o sucesso de um queijo catarinense em nível internacional abre portas para todo o setor, valorizando o trabalho dos produtores e incentivando melhorias na qualidade e visibilidade dos produtos brasileiros no mercado global. O queijo artesanal é visto como um produto cultural, intrinsecamente ligado ao território e às tradições locais.
Santa Catarina: um polo em expansão de queijos artesanais
Santa Catarina vive um momento de grande expansão na produção de queijos artesanais, com produtores distribuídos por diversas regiões do estado. Esse movimento reflete o crescente interesse dos consumidores e da alta gastronomia por alimentos artesanais, com origem conhecida e forte identidade regional.
Os produtos artesanais carregam histórias, tradições familiares e vínculos profundos com o território, atributos cada vez mais valorizados pelo mercado. A organização coletiva, como a promovida pela Artequeijo SC, desempenha um papel fundamental nesse avanço, apoiando o desenvolvimento de negócios familiares sustentáveis.
A associação busca garantir renda, dignidade e continuidade no campo para os produtores rurais. Acredita-se que o queijo artesanal representa uma oportunidade de futuro para as famílias rurais, funcionando como uma ferramenta de sucessão familiar e incentivando a permanência dos jovens no campo.
Expansão do portfólio e planos futuros da Queijos Pomerode
Além do premiado Morro Azul, a Queijos Pomerode oferece outros 11 queijos na linha Vermont e uma linha de queijos cremosos (fundidos) com sete produtos. A empresa processa em média 5 mil litros de leite por dia para atender à demanda.
Outro destaque é o queijo Vale do Testo, que também recebeu medalha de ouro em uma competição europeia. Ele passa por processos de maturação de três, seis e doze meses, sendo lavado semanalmente para intensificar o sabor.
Os irmãos Mendes também estão investindo na produção de iogurte artesanal, com apenas dois ingredientes: leite fresco e fermentos lácteos, sem adição de açúcares ou conservantes. As vendas ocorrem para todo o Brasil, e há conversas em andamento para exportação para os Estados Unidos, com uma expectativa de faturamento de R$ 20 milhões para 2026.





















