Santa Catarina recompensa pequenos produtores rurais que preservam florestas nativas com R$ 70 milhões
O governo de Santa Catarina lançou o programa Mais Verde, uma iniciativa inovadora que destinará R$ 70 milhões para remunerar pequenos produtores rurais pela preservação de matas nativas em suas propriedades. O programa, anunciado em maio de 2026, tem como objetivo proteger 100 mil hectares de floresta e valorizar o papel crucial do agricultor como guardião dos recursos naturais.
Essa política pública representa uma mudança de paradigma, saindo de um modelo puramente punitivo para um sistema que incentiva e recompensa a conservação ambiental. A iniciativa busca reconhecer e remunerar os chamados serviços ambientais, que são os benefícios inestimáveis que a natureza, quando bem cuidada, oferece a toda a sociedade.
Em resumo, o programa Mais Verde visa transformar os agricultores em parceiros ativos na proteção ambiental, garantindo a manutenção de ecossistemas vitais para o futuro do estado. Conforme informação divulgada pelo governo de Santa Catarina, o programa busca proteger áreas estratégicas e valorizar quem atua na linha de frente da conservação.
Quem tem direito a receber o dinheiro do programa Mais Verde
Para ter acesso aos recursos do programa Mais Verde, os interessados devem se enquadrar em critérios específicos. O benefício é direcionado a **pequenos produtores rurais** cujas propriedades tenham até quatro módulos fiscais, uma unidade de medida que varia conforme o município. É fundamental que o agricultor possua o **Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo**.
Além disso, um requisito essencial é a comprovação de que, no mínimo, **40% da área total da propriedade esteja coberta por floresta nativa preservada**. Essa exigência garante que o programa foque em propriedades com um compromisso real com a conservação da vegetação nativa.
Valor do pagamento e forma de recebimento pelo produtor
O pagamento aos produtores será realizado em **parcela única**, sendo depositado diretamente na conta bancária do beneficiário. O valor pago é calculado com base na quantidade de hectares de floresta nativa preservada, podendo variar entre 1 e 10 hectares por propriedade. O auxílio financeiro pode atingir até R$ 5,4 mil.
No entanto, o programa prevê **bonificações extras**. Propriedades localizadas em áreas consideradas estratégicas, como aquelas que sofrem com secas frequentes ou que funcionam como corredores ecológicos, podem receber um valor adicional. Produtores que adotam práticas de produção orgânica também são favorecidos, podendo elevar o montante total para até R$ 7,5 mil.
O que são os serviços ambientais e por que são importantes
Os **serviços ambientais** são os benefícios diretos e indiretos que os ecossistemas saudáveis proporcionam à humanidade. Isso inclui a **purificação da água e do ar**, a **manutenção da fertilidade do solo**, a regulação climática e a conservação da biodiversidade. O programa Mais Verde reconhece que a manutenção dessas florestas gera um valor econômico e social imenso.
Ao remunerar os produtores pela preservação, o programa incentiva a manutenção desses serviços, que são essenciais para a qualidade de vida e para a sustentabilidade das atividades agropecuárias. A ideia é que o produtor rural seja recompensado por atuar como um **guardião desses bens naturais preciosos**.
Prioridade de investimento e críticas ao programa
O governo de Santa Catarina definirá prioridades na destinação dos investimentos do programa Mais Verde. Serão priorizadas **regiões mais vulneráveis a secas** e locais que formam **corredores ecológicos**, essenciais para a movimentação da fauna entre áreas de mata isoladas. Propriedades que protegem espécies ameaçadas e aquelas com reservas particulares reconhecidas também terão vantagem.
Apesar dos objetivos louváveis, o programa também enfrenta críticas de alguns economistas. Um dos pontos levantados é que a meta de alcançar 20 mil produtores pode ser considerada pequena diante do universo de agricultores familiares no estado. Há também um questionamento sobre o retorno financeiro, pois em alguns casos, o lucro potencial com o plantio de culturas como a soja na mesma área poderia ser até quatro vezes maior do que o valor oferecido para a preservação da floresta.





















